domingo, 18 de março de 2007

O nosso Inquérito: Miguel Chalbert.




Nome: Miguel Chalbert.
Cozinha muito frequentemente? Sim. Quase todos os dias.
Quando começou a cozinhar? Eu sei lá. Já foi à uns trinta anos.
Seguiu algum curso? Não.
Há alguém que considere seu mestre? Não.
Livros de cozinha favoritos? Normalmente não uso livros de cozinha.
Qual é o prato que mais gosta de cozinhar? Massinha de cherne.
O que cozinha mais frequentemente? Sopa.
Costuma aproveitar os restos de um prato que cozinhou e com eles fazer um novo prato? Não.
O que é que tem sempre na sua dispensa? Geralmente tenho tudo bem recheado. De tudo um pouco.
Tem um utensílio que considere “pessoal” ou “favorito”? Uma faca.
Costuma consultar sites da internet dedicados a temas culinários? Não.
Quais são as suas lojas favoritas para produtos alimentares e equipamento de cozinha? A Maria da Fonte, para produtos italianos. A Makro para o resto.
Prato favorito? Todos excepto favas.
E petisco? Amêijoas à Bulhão Pato, pimentos de padron.
Prato português favorito? Um bom cozido.
Restaurante favorito? O Pap’Açorda. Fazem coisas simples e com grande qualidade.
A última vez que jantou fora, em que restaurante foi? O Croco, Senhor Zé na Infante Santo. Comemos sempre picanha. Modesto, barato e bastante bom. Tem vegetais.
Conselhos ou normas de sabedoria? Meu Deus!
Uma das suas receitas favoritas:

Massinha de cherne

Uma cabeça de cherne;
Tomate;
Cebola;
1 Pimento;
Alho;
Poejos;
Hortelã da ribeira,
Massa (cotovelinhos)

Estufa-se a cabeça de cherne com a cebola, bastante tomate, o pimento, o alho e as ervas.
Retira-se a cabeça, desmancha-se e deita-se fora as espinhas etc.
Acrescenta-se água ao molho que ficou na panela, rectifica-se sal e pimenta.
Coze-se a massa e junta-se o peixe.
Fica pronto a servir.

Batatas
















Na crónica que publicámos na passada sexta-feira, António Vasco Salgado falava em particular de dois tipos de batata: as bintje e as rattes. Aqui ficam as fotografias para as poderem reconhecer.

sexta-feira, 16 de março de 2007

Escrevem-nos: António Vasco Salgado

António Vasco Salgado escreve-nos. Hoje sobre batatas e a demissão do (ex)Director do Teatro de S. Carlos:

A lógica da batata
Já seguramente lhe aconteceu parar numa das bancas de produtos alimentares na estrada que vai de Colares para a Malveira da Serra e cometer o disparate de perguntar: para que servem estas batatas? O mais provável é que lhe respondam: para tudo, meu amigo/a. Para cozer, assar, fritar, o que quiser, leve, leve que são muito boas.
Faz sentido isto? Não em absoluto!
A batata é um tubérculo, que apareceu na Europa na segunda metade do século XVI, trazido das montanhas dos Andes em particular do Peru e da Bolívia, pelos descobridores espanhóis, chefiados por Cortez.
Embora hoje em dia seja o vegetal mais consumido na Europa, a verdade é que durante muitos anos, foi um alimento desprezado, servindo sobretudo para alimentação de gado. A batata é basicamente constituída por água e amido tendo um reduzido valor calórico.
Existem para cima de 3 mil variedades geneticamente distintas, mas destas apenas 100 são regularmente cultivadas na Europa e 20 habitualmente consumidas por nós comuns humanos. Posto isto dá para pensar como é que uma única variedade de batata á venda no Cabo da Roca é de tal forma eclética. Não é, nem poderia ser de forma alguma.
Não sendo agrónomo nem botânico, só as conheço pela sua designação em francês, as Ratte, La Belle de Fontenay , Charlotte, BF 15, Roseval, Nicola, Pompadour, Bintje, Ker Pondy , Desirée, etc., são apenas alguns exemplos, cada uma com indicações precisas quanto á sua utilização mais apropriada.
O caro leitor não está seguramente á espera que lhe diga qual a utilização mais indicada para cada uma destas variedades. Desculpe lá o mau jeito mas esse é o seu trabalho de casa. Poderei ajudar sugerindo a leitura de um de dois livros, Le meilleur et le plus simple de la pomme de terrre de Joel Robuchon ou Patate de Lyndsay e Patrick Mikanowski, mas de preferência os dois.
Mas para que isto não acabe de forma demasiadamente chata, vamos ao que interessa. O ideal seria arranjar a variedade Bintje, se não conseguir desenrasque-se como puder, arranje a melhor batata possível para fritar, mas em vez do vulgar óleo, use gordura de pato, por exemplo da marca Rougié, á venda no Gourmet do Corte Inglês. Mergulhe a batata cortada em palitos, na gordura bem quente. Quando começarem a adquirir a cor ideal, retire, deixe secar rapidamente em papel absorvente e tempere com flor de sal, á discrição. Não faz bem á saúde, mas paciência se for de vez enquanto!
Outra sugestão, quando for a Paris, se puder não perca o La Table de Robuchon. Peça o puré de batata com trufa preta, feito com a variedade rainha, a Ratte. Bem o melhor é acabarmos aqui, senão isto acaba mal.
Se não estiver virado para nenhuma destas sugestões ajude-me pelo menos a convencer os comerciante/produtores dos sábados de manhã no Príncipe Real, ou os responsáveis da Biocoop em Figo Maduro a interessarem-se pela diversificação da cultura da batata. Parece ter lógica, não é? Mas a verdade é que ainda não os consegui convencer.

PS: ainda a propósito de lógica, neste caso, a falta dela, mando daqui um grande e amigo abraço de solidariedade à Antonietta e Paolo Pinamonti, este último demitido de forma ignóbil, do cargo de Director do Reatro São Carlos. Uma vergonha para o País. Sra. Ministra e Sr. Secretário de Estado da Cultura, isto não se faz. Não se trata assim as pessoas.

quinta-feira, 15 de março de 2007

O nosso Inquérito: Jola Montgelas Cesar das Neves.



Nome: Jola Montgelas Cesar das Neves.
Cozinha muito frequentemente? Sim, todos os dias. No fim de semana mais elaborado do que durante a semana.
Para quem? Nesta fase da vida quase só para a minha familia e amigos chegados.
Quando começou a cozinhar? Bastante cedo, adorei ver e ajudar na cozinha já em criança.
Seguiu algum curso? Não, mas sendo a sétima de 8 irmãos com muito movimento em casa aprendi bastante; e depois a vida em países diferentes com amigos muito inspiradores fez e faz o resto.
Há alguém que considere seu mestre? Gosto neste momento do approach da Nigella Lawson. Não é tão sério e é fá
cil a preparar.
Livros de cozinha favoritos? Todos os livros da Nigella Lawson. Não só óptimas receitas, mas também muito agradaveis a ler. Anna del Conte ( p.e. "Amaretto, Applecake and Artichoke, The best of Anna Del Conte") também é uma das minhas favoritas e, last but not least, "Hess, Wiener Küche". Um conceito totalmente diferente mas fascinante na mesma. Toda a riqueza da cozinha austriaca do século passado....
Qual é o prato que mais gosta de cozinhar? Não posso dizer. Com a minha velhice as sobremesas talvez? Entradas também gosto de fazer, porque são rápidas a preparar, ligeiras e bonitas.
O que cozinha mais frequentemente? Helas, mais frequentemente com as crianças: pasta.
Costuma aproveitar os restos de um prato que cozinhou e com eles fazer um novo prato?Sim, claro. Faz parte do jogo.
Tem um produto favorito? Vários: Limões, coentros, parmigiano, Madeira e vitela. E pasta...
Que tempero considera mais importante? Ervas frescas e limão, sal, alho, azeite.
Tempero mais injustamente esquecido? Aqui, no Norte da Europa: canela.
Utensílio de cozinha mais indispensável? Boas facas, uma panela de pressão e uma muito boa frigideira!!
Tem um utensílio que considere "pessoal" ou "favorito"? Comprei na Turquia colheres de madeira do oliveira, cozinho quase sempre com elas.
Interessa-se pela aplicação de novas tecnologias na cozinha? Francamente, não muito. Acho que os basics sao sempre os mesmos desde há milhares de anos.
Costuma consultar sites da internet dedicados a temas culinários? Pouco, mas gostava mais.
Quais são os seus sites favoritos? Vou comecar com o T.M.J.!
Quais são as suas lojas favoritas para produtos alimentares e equipamento de cozinha? Já não vivo em Portugal ha 8 anos, por isso nao estou muito dentro. Quando ainda lá estávamos, fui muitas vezes ao Mercado de Alvalade. Óptimo peixe e uma boa escolha de frutas.
Equipamento de cozinha, não posso dizer.
Prato favorito? Não tenho... mas neste momento: Foie gras com confit des figues, um pouco de rúcula e um bom vinho, com pão fresco feito em casa.
E petisco? Um bom queijo com um copo de vinho tinto. Uma pera ou figos.
Ou: Morangos com natas!
Prato português favorito? Depois de muito medo no princípio : bacalhau em todas as variações.
Restaurante favorito? Uma memória dum restaurante em Florenz, onde comi há 20 anos uma pasta com molho de tomate e ervas frescas que nunca vou esquecer na minha vida. Era tão simples, tão fresco e tão saboroso. Incrível!!
Conselhos ou normas de sabedoria?
1.Simples, fresco, bonito.
2.Planear para toda a semana, almoços e jantares, facilita imenso, poupa muito tempo e dá um gozo intelectual também para as mães da familia....
3.Encontrar amigos que tambem gostam comer bem e adoram conversar sobre a comida.
Uma das suas receitas favoritas:
Frango com limão e sálvia:


Um frango (de preferência de origem biológica) partido. Mete-se dentro duma forma que pode ir ao forno, põe-se dois limões em fatias, bastante manteiga em pedaços, sal , pimenta, dois dentes de alho, um pouco sumo de limão e várias folhas de sálvia.
Tudo no forno, não muito quente. Voila.

Uma receita de "restos":
Os "Fleischpflanzerl" da minha infância:

Restos des carne (pode ser de tudo, até misturado), cenoura, gengibre, cebola, alho, ervas frescas que haja, tem de ser picado ( de facto pode misturar tudo que lhe apetece.... beterava por examplo é óptimo). Mistura-se tudo com um ovo e um pouco de pão ralado, sal e pimenta até ficar não demasiado molhado, mas também não demasiado seco. Fazem-se pequenos hamburgers e frita-se em manteiga. Come-se com salada, puré de batata feito em casa ou arroz.
Com restos de peixe tambem é óptimo.....

Gostámos de: Arroz de Lampreia no Múni.



Estava planeado há muito, este Arroz de Lampreia em Lisboa. No Múni, um dos nossos restaurantes favoritos, um dos poucos que na Baixa continua fiel a si mesmo e ainda não perdeu o carácter nem a qualidade. Aurélio Lage Vidal, o seu gerente, tinha garantido que seria tão bom como o melhor. Mas, vítimas do princípio de que “santos de casa não fazem milagres”, tínhamos continuado convictos que Arroz de Lampreia só mesmo no Portugal profundo. Foi preciso estarem cá a Manuela e o Robert Pérroud com pouca disponibilidade para longos passeios para nos (nos é o team T.M.J. em peso) decidirmos. O resultado foi fantástico: o melhor que comemos desde sempre. Uma verdadeira perfeição a obra de Maria Conceição Lage. Para usar a frase de um amigo nosso do Rio: “Bom de dar gritos de cachorro atropelado”.
Se quiser experimentar será melhor telefonar uns dias antes para combinar de antemão.
Restaurante Múni. Rua dos Correeiros 115. T: 213 428 982.

Folhado de Salmão (Bicha Martorell)



Massa folhada já estendida;

lombos de salmão fresco;

requeijão+ cebolinho;

endro.

Estende-se a massa folhada num prato de forno. Barra-se com o requeijão temperado com sal, pimenta e cebolinho.Põem-se os lombos de salmão, temperados com sal+pimenta + limão+muito endro, sobre a massa. Barram-se por cima com a pasta de requeijão. Cobre-se com a outra folha de massa folhada, fecha-se o «pastel» e pinta-se com gema de ovo. Vai ao forno 30 m ou até a massa estar tostada.

As Artes e a Mesa: Isabel Lopes da Silva, Antiguidades.

Se você é dos que vivem felizes entre bacalhau com natas, loiças da Vista Alegre e tapetes de Arraiolos, não perca o seu tempo: a loja de Isabel Lopes da Silva não é para si.
Mas se for como nós, estiver certo e seguro de que as irmãs Fendi, Jo Malone, Manolo Blahnik e, já agora, Ferran Adria fizeram mais pela humanidade do que a Madre Teresa, então quando entrar na loja vai sentir que chegou à Terra Prometida.
Isabel Lopes da Silva tem em comum com a manteiga de cabra de Palhais (ver já há um mês e tal neste blog) que para a descrever objectivamente se pode usar apenas superlativos hiperbólicos. Só o que é positivo e termina em íssimo, érrimo ou mesmo ésimo. Sobretudo tem algo que falta à maioria dos habitantes desta cidade: o sentido do luxo.
Há sempre pratas soberbas de Georg Jensen, artes populares de países remotos e agora algumas cerâmicas “aquáticas” de Gustavesberg. O suficiente para transformar a sua mesa num prodígio de sensualidade.(E fazer a sua cunhada, quando for jantar a sua casa para a semana, sair com um ataque de sarna). Possivelmente quando fizer as contas ao que gastou vai cancelar as férias de Páscoa na Tailândia ou a compra do Smart para andar em Lisboa agora que a Emel entrou numa de genocídio. Paciência. Verá que o luxo absoluto dá sempre mais pica. Vá por mim.

Isabel Lopes da Silva, Antiguidades. Rua da Escola Politécnica, nº 67. T:21 342 5032.

Sopa de Coentros (Maria Barroso)



A receita favorita de Maria Barroso seria Sopa de Coentros, segundo nos disse quando a entrevistámos para "Na Cozinha com Elas":

1 pão alentejano de meio quilo, de preferência de véspera;
6 dentes de alho;
1 molho de coentros;
6 ovos;
Azeite;
Sal.
Esmagar os dentes de alho e os coentros num almofariz até fazerem uma pasta homogénea.
Em cada prato colocar o pão, cortado em pedaços médios, evitando encher demasiado.
Dividir a massa de alho e coentros pelos pratos.
Abrir um ovo no centro de cada prato.
Deitar por cima água a ferver, de modo a cobrir o pão.Temperar de sal e azeite a gosto

(foto: produção Gualter Santos)

De babar: Espargos Selvagens.



Quando voltava de Mora na segunda-feira estavam a vender à beira da estrada. Outro sinal da chegada da Primavera. Contrariamente às túberas, que estariam atrasadas e por enquanto são poucas, este ano haveria imensos espargos selvagens. Deliciosos com migas, ovos mexidos e tudo o mais que se queira. Estes acabaram no forno com vinho branco e sumo de limão, para acompanhamento de uma posta de salmão.

terça-feira, 13 de março de 2007

Gostamos de: "Maria da Fonte".


Lembro-me bem quando abriu: foi como se a Europa tivesse chegado a Campo d’Ourique. Ou, talvez melhor ainda, a Itália: os queijos, as geleias, as massas, os azeites e vinagres mais tudo o que há de bom. Isto para não falar do sorriso da Cristina.
O sucesso foi enorme e mais do que justificado: finalmente o lugar ideal para se ficar a gozar do fim da tarde à volta de uma bebida ou para fazer uma refeição que por ligeira não era menos deliciosa.
Passados vários anos continua a mesma onda: o sentido do pormenor (viram as mantinhas para se estar na esplanada enquanto este frio não passa?) a qualidade do serviço e o rigor nos pratos que oferecem. E toda uma gama de produtos italianos e nacionais que fazem a felicidade de qualquer cozinheiro. Com a vantagem de que agora tem serviço de catering.
Maria da Fonte, Gastronomia Mediterrânica, Wine Bar. Rua 4 de Infantaria, 8A. T: 213968201. (fechado à segunda-feira).

O Nosso Inquérito: Álvaro Roquette.



Nome: Alvaro Roquette.
Cozinha muito frequentemente? Sim, não tenho outro remédio…
Para quem? Para quem tem a coragem de lá ir a casa.
Quando começou a cozinhar? Era pequeno, a curiosidade aproximou-me do fogão.
Seguiu algum curso? Não, tenho seguido alguns livros.
Há alguém que considere seu mestre? A minha avó Gigica, que nunca cozinhou mas sabia os truques todos.
Livros de cozinha favoritos? Que seria de mim sem a Isalita, o Tesouro das Cozinheiras, o Pantagruel, estrangeiros uso mas não frequentemente.
Qual é o prato que mais gosta de cozinhar? Sopas, sou viciado, espero que esta adição esteja despenalizada….
O que cozinha mais frequentemente? O chamado por qualquer criada de servir de “trivial”, mas sou fã de comida portuguesa.
Costuma aproveitar os restos de um prato que cozinhou e com eles fazer um novo prato? Tenho pouco o espírito de Filipa Vá Com Deus, comigo vai pró lixo.
Tem um produto favorito? Sim, mas não posso dizer agora, estava a brincar, adoro o cheiros das ervas frescas, por isso cozinho muito pelo cheiro, coentros é de certo o produto natural a que posso chamar de eleito.
Que tempero considera mais importante? O sal.
Tempero mais excessivamente valorizado? As ervas.
Tempero mais injustamente esquecido? Os que a minha avó desconhecia, gengibre é um bom exemplo, também não me dou bem com os picantes, dá-me nervos…
Utensílio de cozinha mais indispensável? O tacho.
Tem um utensílio que considere “pessoal” ou “favorito”? O odeio que usem as minhas facas.
Interessa-se pela aplicação de novas tecnologias na cozinha? Tenho medo…
Costuma consultar sites da internet dedicados a temas culinários? Não, sou um clássico.
Qual é a sua loja favorita para produtos alimentares e equipamento de cozinha? Equipamento de cozinha, não compro faz muito tempo. O Corte Inglês resolve-me o resto da vida.
Prato favorito? Favas mil vezes favas, com arroz branco, lembro-me sempre do Vale de Santarém na Cidade e as Serras.
E petisco? É difícil escolher um, mas cá vai, a medo claro, caracóis.
Prato português favorito? Favas.
Restaurante favorito? Pap´Açorda.
Conselhos ou normas de sabedoria? Nunca cozinhar sem paixão.
Há alguma pergunta que gostaria que lhe fizéssemos? Exmo Senhor, lemos com cuidado e atenção o seu inquérito e acima de tudo achamos que é um canastrão nestas coisas do comer, propomos que, caso aceite, passe por uns tempos a jantar nas nossas casas, para saber o que é comer civilizadamente. Aceita?
Uma das suas receitas favoritas:

Sopa da Tia Rita

6 nabos
6 cebolas
6 courgettes
1 pacote de manteiga
Natas a gosto

Numa panela derrete-se a manteiga, depois junta-se o nabo cortado em rodelas finas, deixa-se estufar, a meio junta-se a cebola também ás rodelas finas, um pouco mais e juntam-se as rodelas de courgette. Acrescenta-se água e deixa-se cozer tudo muito bem.
Passa-se a sopa com a amiga varinha mágica e no momento de servir juntam-se as natas.

Não sei se é assim que se escreve uma receita, mas estou certo que chegam lá.

Uma receita de “restos”:
Não consegui que a celebre senhora descesse sobre mim…

De babar: "O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo".



Não sei se será o melhor do mundo, este bolo que por si só justificaria sermos fans incondicionais da Cozinhomania. Possivelmente até será. Quem sabe? Mas é realmente muito, muito, muito bom. Cremoso, estaladiço, com um forte sabor a chocolate sem ser doce demais. E contrariamente ao que costuma acontecer nesta terra, tão bom agora, ou até melhor, do que quando apareceu faz já uma quantidade de anos. Daí o seu enorme sucesso. A última vez que estive na loja, 6ª feira passada, o corrupio era impressionante: no tempo que leva engolir uma fatia devem ter entrado mais de cinquenta pessoas. De todas as idades. O que é garantia que o sucesso se prolongará ainda por muitos anos.
Rua Coelho da Rocha 99. T: 213 965 372 .

Escrevem-nos: António Vasco Salgado

Uma nova crónica de António Vasco Salgado. Já tinhamos fechado a loja quando chegou mas publicamos já porque é mais do que interessante:

Viagem a São Francisco, com apresentação de um produto.
Que São Francisco é uma das cidades mais bonitas do mundo é uma redundância tal quanto bonita é realmente a cidade. A sua relação com a água, só tem comparação com Hong Kong, Rio de Janeiro e poderia ter com Lisboa se nós tomássemos mais cuidado com a dádiva que a naturaza nos deu. São Francisco é a cidade do Filmore East, essa instituição gerida pelo Reverendo Bill Graham, que para quem tenha á volta dos cinquenta anos, fácilmente relacionará com o mais interessante que houve no movimento da música rock americana dos anos 60 e 70. Tem também um interessante MOMA onde se poderá ver um verdadeiramente excepcional Mark Rothko.
São Francisco é também a cidade que de forma mais consistente e sustentável lançou nos Estados Unidos algo de semelhante ao que já há anos existia no Continente Europeu. Foi em São Francisco que os proprietáriso de restaurantes iniciaram uma relação próxima com produtores agrícolas, por forma a melhorar as qualidades gastronómicas dos produtos que ofereçem nos respectivos restaurantes.
Éramos 4 e coube-me a mim organizar a vertente gastronómica de uma viagem de trabalho que 3 neurologistas decidiram fazer para assistir a uma das mais importantes reuniões científicas da nossa área de especialização.
O primeiro jantar foi no Alice Walters em Berkeley. Alice Walters é uma das responsáveis por esta ligação estreita entre produtores de excelência e os restaurantes. O restaurante fica relativamente longe de São Francisco e ficou abaixo da respectiva fama. Tudo relativamente bem cozinhado mas faltou-lhe a alma que o destaca dos restantes.
O segundo eleito foi o Zuni Café este em São Francisco, propriedade de Judy Rogers. A proprietária esteve algum tempo na Europa antes de se iniciar na sua aventura californiana, tendo passado, de acordo com o respectivo curriculo, nos Troisgros em Rouanne. Aqui está um restaurante sem grandes pretensões onde se janta condignamente, num ambiente divertido e despretencioso.
Finalmente a terceira noite estava reservada para a coqueluche das escolhas, o Michael Mina do Westin Hotel mesmo no centro da Cidade. Michael Mina é um chefe talentoso, sócio do tenista André Agassi, que na simplicidade cria um conceito verdadeiramente interessante e inovador. Imagine-se a escolher um produto e no mesmo prato criar 3 variações sobre o mesmo tema. Simples, eficaz e conseguido.
Tive a sorte de nesta viagem ser acompanhado pela minha grande amiga Teresa, colega de profissão, grande admiradora dos meus feitos culinários, o que rebenta positivamente com a minha auto-estima, e esforçada produtora de legumes de eleição numa horta que possui em Vilar Formoso. Foi com a Teresa que vasculhei todas as prateleira do Sur la Table e do Willam-Sonoma, duas enormes lojas com tudo o que possa estar relacionado com a gastronomia, desde instrumentos a produtos comestíveis. Foi numa destas que encontrei um sal verdadeiramente espantospo proveniente de Chipre. É uma flor de sal, de cristal quase perfeitament poliédrico verdadeiramenete estaladiço na boca. Tão bom que outro meu amigo ao despedir-se de um jantar que correu, acho eu, bastante bem em minha casa me pediu um pouco envolto num vulgar guardanapo de papel. Teresa Cota, corrige-me as irritantes gralhas, porque o dia já vai longo para quem começou a assistir a doentes a partir das 8 da noite. Beijos, o gastrónomo errante.

Dos Arquivos de "Na Cozinha com Elas".

Quando fizemos as entrevistas que, depois de aventuras múltiplas, acabaram por ser publicadas como “Na Cozinha com Elas”, recolhemos uma quantidade de material que não foi utilizado, sobretudo fotografias. Dado que algumas delas representam muito do tempo de toda uma série de mulheres extraordinárias, pensamos que seria da maior justiça publica-las. Muito também porque nos fazem recordar as horas passadas na companhia de pessoas fantásticas que nos acolheram com uma generosidade que nunca esqueceremos.

Maria Barroso.



Maria Barroso recebeu-nos duas vezes quando a entrevistámos para “Na Cozinha com Elas”. Das duas vezes ficamos fascinados com o entusiasmo, a energia, a entrega total as causas de inegável relevância. Encantados também com a generosidade com que nos acolheu, generosidade que se prolongou até ao lançamento do livro onde, num extraordinário vestido vermelho, foi o centro de atenções e um íman para os olhares dos jornalistas. Fotografa-la foi do mais fácil. Possivelmente a mais fácil de todas as entrevistas. Fomos conversando enquanto a máquina ia disparando. Nos seus olhos brilhava o entusiasmo suscitado pelo projecto que estava a explicar-nos.


A casa de jantar respira uma calma quase religiosa. Uma decoração extremamente despojada. O quadro branco de Urbano e a tapeçaria em tons pastel sobre um cartão de Menêz dão o tom. Quanto ao resto, o mesmo espírito de qualidade e de um gosto supremo. Como que destinada a ser um oásis de tranquilidade no seu super agendado dia a dia.